COMUNICAÇÃO FUNCIONAL EM AUTISMO

Quando percebem que seu filho tem atrasos ou dificuldades na comunicação, é natural que a pergunta “Será que ele vai conseguir se comunicar de forma funcional?” surja repetidamente — muitas vezes com intensidade emocional e ansiedade.

Neste artigo, vamos explorar o que significa comunicação funcional, quais são os marcos científicos que embasam as práticas de intervenção e como diferentes abordagens podem favorecer o desenvolvimento da comunicação da criança.

Neste artigo, você vai entender:

  • O que é comunicação funcional
  • Se toda criança pode se comunicar de forma funcional
  • Quais estratégias são apoiadas pela ciência
  • Quando buscar ajuda profissional

O que é comunicação funcional?

Comunicação funcional é a capacidade da criança de expressar necessidades, desejos, sentimentos e escolhas, de forma compreensível para o outro, mesmo que isso não aconteça por meio da fala oral. É fundamental diferenciar falar de comunicar.

A comunicação funcional não exige necessariamente o uso da voz. Ela ocorre quando a criança consegue, de alguma maneira, interagir com outras pessoas para obter um resultado.

Ela pode ocorrer por meio de ações como:

  • Levar o adulto pela mão até o que deseja.
  • Apontar para um objeto.
  • Usar figuras ou cartões com objetos e eventos.
  • Direcionar o olhar para um objeto
  • Usar um tablet com software de voz.
  • Emitir sons e vocalizações intencionais
  • Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), com uso de figuras, pranchas ou dispositivos digitais

Estudos indicam que:

  • Intervenção precoce aumenta as chances de avanços significativos na comunicação
  • Crianças não verbais podem desenvolver sistemas eficientes de comunicação

O Papel da Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA)

A CAA é uma prática baseada em evidência, estudada e reconhecida por seu papel em apoiar a comunicação de pessoas com necessidades complexas, incluindo crianças autistas com dificuldades severas de comunicação. Esta prática favorece o aumento de atos comunicativos e novas oportunidades de expressão.

Mito: Um dos maiores mitos é acreditar que o uso de imagens ou dispositivos de voz faz a criança “preguiçosa” e a impede o desenvolvimento da fala. A ciência prova o contrário. Ela reduz a frustração da criança que ela sente quando não é compreendida e, muitas vezes, diminui comportamentos desafiadores (crises), fornecendo um modelo visual que auxilia o cérebro a organizar a linguagem verbal no futuro.

Benefícios documentados:

  • Aumento da iniciativa comunicativa
  • Redução da frustração
  • Maior participação social e escolar
  • Apoio ao desenvolvimento da linguagem

A CAA não é apenas uma “tecnologia” — é um conjunto de métodos e ferramentas que permitem a expressão de ideias quando a linguagem oral está ausente ou é limitada.

A CAA ajuda a criança autista a:

  • pedir
  • escolher
  • recusar
  • expressar sentimentos
  • participar das interações do dia a dia

Exemplos de CAA para crianças autistas

🖼️ Pranchas de comunicação

📸 Fotos reais de objetos e pessoas

🧩 Símbolos gráficos (Pictogramas simples e claros)

📱 Aplicativos com voz

🤲 Gestos e sinais

📋 Rotinas visuais

O papel da família no desenvolvimento da comunicação

A família pode favorecer a comunicação quando:

  • Responde às tentativas comunicativas da criança
  • Oferece escolhas simples
  • Usa pistas visuais e gestuais
  • Cria oportunidades reais de comunicação no dia a dia

💡 Comunicação funcional se constrói na rotina, não apenas na terapia.

Quando procurar ajuda profissional?

É recomendado buscar avaliação de profissionais da saúde especializados quando a criança:

  • Não aponta ou não demonstra intenção comunicativa
  • Apresenta atraso significativo na fala
  • Usa comportamentos para se expressar (choros, gritos, crises)
  • Tem dificuldade de interação social

Com o suporte adequado, a grande maioria das crianças autistas consegue desenvolver alguma forma de comunicação funcional. Para alguns, será a fala fluente. Para outros, será uma combinação de sinais, escrita e tecnologia. O sucesso não deve ser medido apenas pela capacidade de falar “bom dia”, mas pela autonomia de comunicar “estou com dor”, “quero brincar” ou “não quero isso”.

A atuação conjunta de fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos é fundamental para definir a melhor estratégia comunicativa.

  • Fique na altura dos olhos da criança: Facilite a conexão visual e a observação de sua boca.
  • Siga o interesse dela: Se ela gosta de carrinhos, use o carrinho para ensinar conceitos como “parar” e “correr”.
  • Dê tempo para a resposta: O processamento de uma criança com TEA pode ser mais lento. Espere pelo menos 10 segundos antes de repetir uma pergunta.

Mais do que falar, comunicar é:

  • Participar
  • Escolher
  • Ser ouvido
  • Criar vínculos

Muitas crianças encontram caminhos próprios de expressão quando são        compreendidas, respeitadas e apoiadas.

✨ A comunicação funcional não é apenas sobre falar — é sobre ser       compreendido.
✨ Intervenções baseadas em evidências podem abrir caminhos reais de       progresso.
✨ Cada p equena conquista merece ser celebrada — pequenas conquistas   somam grandes avanços.

O apoio adequado de profissionais da saúde faz a diferença.


Referências bibliográficas

AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.

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SCHLOSSER, R. W.; WENDT, O. Effects of augmentative and alternative communication intervention on speech production in children with autism. American Journal of Speech-Language Pathology, Rockville, v. 17, n. 3, p. 212–230, 2008.

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WETHERBY, A. M.; PRIZANT, B. M. Communication and symbolic behavior scales: developmental profile. Baltimore: Paul H. Brookes, 2002.


POLÍTICA EDITORIALO site Seven Senses acredita que a educação é a chave para o sucesso no atendimento a pessoas com autismo, síndrome de down e distúrbios relacionados. Trabalhamos para garantir que a seleção de recursos e conteúdos sobre autismo e síndrome de down, aqui publicados, contribuam para a conscientização e apoio a famílias e profissionais que se dedicam ao autismo e à síndrome de down.

Observação: As informações contidas neste site não devem ser usadas como substitutivo de cuidados e aconselhamentos médicos.


Publicado por: Maria Aparecida Griza (CIDA GRIZA)

Certificação Internacional em Integração Sensorial – University of Southern California / USC – USA

Especialista em Saúde Mental, Psicopatologia e Psicanálise / PUCPR    |     Especialista em Atenção à Saúde da Pessoa Idosa – Gerontologia / UFSC    |    E- specialista em Rede de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência / UNESC    |        Terapeuta Ocupacional da Seven Senses – Espaço Pediátrico de Integração Sensorial – Florianópolis/SC


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